Curiosidades
Livro de Deborah Curtis
Resenha do livro Carícias Distantes, de Deborah Curtis
Por Gleber Pieniz
A edição é portuguesa, de fácil leitura, e não deve espantar fanáticos, fãs ou mesmo apreciadores da obra do
Joy Division. Carícias Distantes, biografia de Ian Curtis escrita pela viúva do vocalista, Deborah, é fonte mais do
que recomendada para pesquisas aprofundadas sobre o quarteto inglês. Pessoal, íntimo e focado sobre a vida
particular de Curtis, o livro revela facetas até então desconhecidas de um dos artistas (poeta, cantor, band leader)
mais influentes do rock moderno.
Deborah Curtis escreve primeiro como namorada. No decorrer do livro, no entanto, passa a encarnar os papéis de fã,
esposa, mãe, mulher traída e, finalmente, viúva. Se estiver buscando informações sobre Ian no que se refere ao seu
processo de composição, seu relacionamento com a banda, suas performances nos shows, esqueça.
Carícias Distantes não é livro pra você. É uma biografia que fala do menino agitado, do jovem boleteiro,
do rapaz carismático, sisudo e vaidoso, do epilético, do bom filho, do trabalhador, do fã de Bowie, Reed e Iggy.
É um livro que fala do marido adúltero, calado, do pai de Natalie, sempre ausente. Deborah, só para ilustrar,
não era presença bem-quista nas turnês. Ian a levava a poucos shows da banda, raramente a esposa era vista
nos ensaios. Pouco sabia Deborah sobre o Joy Division, a não ser o que Ian lhe contava. Os fãs sabiam mais.
Annik Honoré, a amante belga de Curtis, sabia mais. Estava mais por dentro do Joy Division do que a própria
esposa do líder.
Ainda assim, a cronologia da banda é rica e detalhada pelos olhos de Deborah, que lembra dos primeiros shows,
dos primeiros contratos, das poucas entrevistas. Trata de Ian como pessoa: expõe seus vícios, seus costumes,
seu caráter, sua personalidade. Dá espaço a amigos, colegas, parentes e parceiros de banda relatarem suas
memórias. Narra, com riqueza comovente de detalhes, a manhã em que encontrou o corpo do suicida, em sua
própria casa. Engloba, enfim, uma faceta que não era vista pelos biógrafos de costume, pelos repórteres, pelos fãs.
Mostra Ian Curtis, não o mito.
Além da biografia - que traz muitas fotos inéditas e depoimentos fantásticos de pessoas chegadas a Ian -,
Carícias Distantes dá uma discografia completa e comentada do Joy Division. Pra fã, é prato cheio. Para o leitor
descompromissado, um ótimo livro.
A edição de Carícias Distantes - Biografia de Ian Curtis é portuguesa, da Assírio & Alvim. Pode ser encomendada
em qualquer boa livraria e custa na base de R$ 26.
Por Gleber Pieniz
A edição é portuguesa, de fácil leitura, e não deve espantar fanáticos, fãs ou mesmo apreciadores da obra do
Joy Division. Carícias Distantes, biografia de Ian Curtis escrita pela viúva do vocalista, Deborah, é fonte mais do
que recomendada para pesquisas aprofundadas sobre o quarteto inglês. Pessoal, íntimo e focado sobre a vida
particular de Curtis, o livro revela facetas até então desconhecidas de um dos artistas (poeta, cantor, band leader)
mais influentes do rock moderno.
Deborah Curtis escreve primeiro como namorada. No decorrer do livro, no entanto, passa a encarnar os papéis de fã,
esposa, mãe, mulher traída e, finalmente, viúva. Se estiver buscando informações sobre Ian no que se refere ao seu
processo de composição, seu relacionamento com a banda, suas performances nos shows, esqueça.
Carícias Distantes não é livro pra você. É uma biografia que fala do menino agitado, do jovem boleteiro,
do rapaz carismático, sisudo e vaidoso, do epilético, do bom filho, do trabalhador, do fã de Bowie, Reed e Iggy.
É um livro que fala do marido adúltero, calado, do pai de Natalie, sempre ausente. Deborah, só para ilustrar,
não era presença bem-quista nas turnês. Ian a levava a poucos shows da banda, raramente a esposa era vista
nos ensaios. Pouco sabia Deborah sobre o Joy Division, a não ser o que Ian lhe contava. Os fãs sabiam mais.
Annik Honoré, a amante belga de Curtis, sabia mais. Estava mais por dentro do Joy Division do que a própria
esposa do líder.
Ainda assim, a cronologia da banda é rica e detalhada pelos olhos de Deborah, que lembra dos primeiros shows,
dos primeiros contratos, das poucas entrevistas. Trata de Ian como pessoa: expõe seus vícios, seus costumes,
seu caráter, sua personalidade. Dá espaço a amigos, colegas, parentes e parceiros de banda relatarem suas
memórias. Narra, com riqueza comovente de detalhes, a manhã em que encontrou o corpo do suicida, em sua
própria casa. Engloba, enfim, uma faceta que não era vista pelos biógrafos de costume, pelos repórteres, pelos fãs.
Mostra Ian Curtis, não o mito.
Além da biografia - que traz muitas fotos inéditas e depoimentos fantásticos de pessoas chegadas a Ian -,
Carícias Distantes dá uma discografia completa e comentada do Joy Division. Pra fã, é prato cheio. Para o leitor
descompromissado, um ótimo livro.
A edição de Carícias Distantes - Biografia de Ian Curtis é portuguesa, da Assírio & Alvim. Pode ser encomendada
em qualquer boa livraria e custa na base de R$ 26.












